sexta-feira, 24 de junho de 2011

Bispo de Santarém enfatiza a missão de evangelização e plebiscito do Tapajós na Festa do Corpo de Deus‏

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“Nossa Missão: Viver a Palavra e partilhar o Pão”. Esse foi o tema central de reflexão da Festa do Corpo de Deus que aconteceu ontem,23/06, em Santarém. A programação constou de duas procissões que saíram de locais diferentes em direção à praça do Santíssimo Sacramento, ambas às 16h30. Uma saiu do Seminário São Pio X e outra da igreja São Paulo Apóstolo, no bairro do Diamantino.
Durante o trajeto, diversas homenagens foram prestadas a Jesus Eucarístico: desde uma oração pessoal quando a procissão passava em frente às casas das pessoas até aquelas bem mais elaboradas, como a da comunidade N. Sra. das Graças. Ruas enfeitadas, aparelhos de som sintonizados na Rádio Rural na frente das casas para ajudar os caminhantes das procissões a refletirem os cantos e orações.
Não faltou o gesto de solidariedade: várias pessoas distribuíram água aos fiéis para ajudar a amenizar o forte calor da tarde de ontem em Santarém.
Passava das 18h quando as duas procissões chegaram à praça do Santíssimo que já estava tomada pela grande quantidade de féis que aguardavam as duas procissões e para participaram da santa Missa, presidida pelo bispo da Diocese de Santarém, Dom Esmeraldo B. de Farias.
Durante a homilia, Dom Esmeraldo Barreto de Farias ressaltou que a Diocese vive o ano missionário.A Missão Diocesana de Evangelização nos anima nesse caminho pelas visitas de casa em casa, pelas Escolas Bíblicas que estão sendo organizadas, pelas visitas às Escolas, de uma comunidade a outra, pelos gestos concretos de solidariedade... O missionário (a) é missionário(a) de Jesus Cristo. Para isto, ele pede, a cada dia, a graça do encontro com Jesus Palavra de Deus, Pão da Vida, presente na comunidade reunida em seu nome, identificado com os pobres”.
O bispo enfatizou ainda que o/a missionário/a e que para se realizar a missão é preciso superar muitos desafios. “Por isso, acolhendo a Palavra Santa, participando da Eucaristia e da vida da comunidade, o missionário considera a situação do meio ambiente para defender: a vida das pessoas em sua dignidade; a água potável em todas as casas (na cidade e no interior); os igarapés e os rios para que a pesca não seja predatória e para que a água não fique refém dos projetos de geração de energia prejudicando os demais usos da água; a mata para que não continue sendo destruída pela avidez do lucro;
O missionário(a) considera também a vida das pessoas ameaçada pela violência que tem tirado a tranquilidade e ceifado tantas vidas. Muita tristeza sentimos diante dos assassinatos que têm acontecido em nossa querida Amazônia!”
No final da sua homilia, Dom Esmeraldo foi contundente ao dizer: “Diante desses desafios, Jesus nos convoca a testemunhá-lo no dia-a-dia das pessoas, e incentivá-las a também se tornarem discípulas de Jesus, através do encontro pessoal com e buscando dias melhores para todos, pois Jesus é a Palavra e o Pão que deve ser partilhado”, concluiu o bispo.
Na ocasião, houve o lançamento do cartaz da Missão de Evangelização da Diocese. O cartaz será distribuído no mês de agosto às famílias quando forem visitadas pelos missionários.
Plebiscito sobre o Estado do Tapajós
Outro destaque da Festa de ontem ocorreu no final da celebração. Dom Esmeraldo conclamou todos os católicos dos municípios do Oeste do Estado que formam a Diocese para votarem no SIM pela criação do futuro Estado do Tapajós. E a multidão que estava na praça do Santíssimo respondeu positivamente com uma grande salva de palmas.

Homilia – Festa do Corpo de Cristo 2011
Irmãos e Irmãs reunidos na Praça do Santíssimo, Irmãos e Irmãs das Congregações Religiosas, os seminaristas diocesanos, franciscanos e verbitas, Irmãos Diáconos e Padres. Saúdo você que está bem juntinho do seu rádio, rezando conosco através da rádio rural de Santarém.
Uma saudação especial a todos da Paróquia do Santíssimo com o Frei Gregório que celebram esta festa de modo mais prolongado. São nove dias para a meditação sobre a nossa missão: viver a Palavra e partilhar o Pão. Damos graças a Deus celebrar a festa do Corpo de Cristo dentro do Ano Missionário: Missão Diocesana de Evangelização e quando comemoramos os 350 anos da fundação de Santarém.
O Evangelho proclamado nos faz mergulhar no sentido mais profundo da vida: a referência à vida, ao viver, é feita oito vezes, sendo que a expressão vida eterna é aí destacada. É Jesus mesmo quem está falando: “Eu sou o pão vivo descido do céu” (Jo 6,51). Ele é o caminho, a verdade e a vida. Caminho para o Pai, caminho de vida eterna, vida em plenitude.
Ele nos oferece a sua vida para que, na comunhão com ele, façamos a experiência da inclusão na vida divina. Experimentarmos agora,  o que será pleno no céu.
Entrar na comunhão com Jesus Cristo, receber dele e nele a vida, nos faz abertos para a inclusão na comunidade, pois nele formamos um só corpo. “Muitos grãos de trigo, um só pão. Muitos membros, um só corpo” (1Cor 10,17; 12,12). Em Jesus Cristo, fazemos parte do seu corpo que é a Igreja (Corpo de Cristo, Povo de Deus). Nós somos os membros e Jesus Cristo é a cabeça da Igreja.
Na celebração da eucaristia, oração eucarística, pedimos sempre que o Espírito Santo transforme  o pão e o vinho no corpo e sangue de Cristo e também pedimos que “o Espírito Santo nos una num só corpo, para sermos um só povo em seu amor”. Então, somos convidados para participar do Corpo Sacramental (a comunhão) e do Corpo Eclesial (vivermos em comunhão nas comunidades). É Jesus quem nos concede esta graça por meio do seu Espírito que nos unifica a fim de realizarmos a vontade do Pai.
Jesus Cristo vem ao nosso encontro e nos convida para estarmos unidos a ele. Desse modo, somos também chamados para ir ao encontro das pessoas nas famílias, nas comunidades, na cidade e no interior, por toda a parte, e testemunhar a alegria dessa vida nova que recebemos, desse projeto de vida plena que Jesus nos oferece. Ele sempre se colocou a serviço da vida e anunciou o Reino de Vida que inclui a todos (cf. DAp 353; 351). A vida nova que encontramos nele (Jesus Cristo Palavra, Pão da Vida) atinge o ser humano por inteiro, o todo da pessoa, e desenvolve em plenitude a existência da pessoa “em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural” (DAp 356).
A Missão Diocesana de Evangelização nos anima nesse caminho pelas visitas de casa em casa, pelas Escolas Bíblicas que estão sendo organizadas, pelas visitas às Escolas, de uma comunidade a outra, pelos gestos concretos de solidariedade...
O missionário (a) é missionário(a) de Jesus Cristo. Para isto, ele pede, a cada dia, a graça do encontro com Jesus Palavra de Deus, Pão da Vida, presente na comunidade reunida em seu nome, identificado com os pobres. A experiência desse encontro é fundamental para que seja missionário da vida plena, pois somente a partir desse encontro pessoal e em comunidade ele encontrará a motivação e a força para viver a missão ajudando outras pessoas a mergulharem nesse processo do encontro com Jesus Cristo, conhecendo-o pela meditação da Palavra de Deus, pela aproximação da Eucaristia (Corpo Eucarístico) e pela participação na vida da comunidade (Corpo Eclesial).
A partir da experiência desse encontro pessoal e comunitário, o missionário(a) também trabalha consciente de que é chamado a ser defensor da vida do Reino. Então, não pode fechar os olhos diante de realidades que ferem a dignidade da pessoa (DAp 358). Por isso, acolhendo a Palavra Santa, participando da Eucaristia e da vida da comunidade, o missionário considera a situação do meio ambiente para defender:
 - a vida das pessoas em sua dignidade;
- a água potável em todas as casas (na cidade e no interior);
- os igarapés e os rios para que a pesca não seja predatória e para que a água não fique refém dos projetos de geração de energia prejudicando os demais usos da água;
- a mata para que não continue sendo destruída pela avidez do lucro;
O missionário(a) considera também a vida das pessoas ameaçada pela violência que tem tirado a tranquilidade e ceifado tantas vidas. Muita tristeza sentimos diante dos assassinatos que têm acontecido em nossa querida Amazônia! Repudiamos estes atos de violência que expressam uma mentalidade do mais forte que passa por cima da vida, que despreza a vida, que não respeita a vida dom sagrado de Deus, pois a vida vem dele, é resgatada pelo sangue do seu Filho, e a ele pertence. A impunidade muito contribui para que a violência continue campeando entre nós, assim como a campanha que quer liberar as drogas como se fosse um objeto normal e necessário de consumo.
O missionário se preocupa com a família, no sentido da união do homem e da mulher que acolhem a graça do Deus da vida para serem colaboradores na geração da vida.
Festa do Corpo de Cristo: Unidos a Cristo e aos irmãos para que aconteça sempre o encontro com Jesus Cristo Palavra e Eucaristia e possamos partilhar não só coisas, mas também a nossa vida.
Nesse caminho, sei que há dificuldades, sofrimentos, desafios, desânimo. Mas, o Deus da vida, que fez o povo de Israel sair do cativeiro do Egito e o acompanhou na caminhada de 40 anos pelo deserto, alimentado-o com sua Palavra e com o maná; ele por meio do seu Filho Jesus Cristo, na força do seu Espírito, continuará falando dentro de nós para que, no encontro com Jesus vivo, possamos viver a comunhão com ele e dele ser missionários(as).
Na vida caminha, quem come deste pão
Não anda sozinho quem vive em comunhão (bis).
PASCOM - DIOCESE DE SANTARÉM

quarta-feira, 15 de junho de 2011

TESTEMUNHO DO SEMINARISTA MATEUS

Mateus Sousa de Andrade
(Seminarista da Diocese de Santarém)
Sou Mateus Sousa de Andrade, nasci em 09/02/1987, na Comunidade de Aninduba, as margens do Rio Amazonas. Na minha região a principal fonte de subsistência é a agricultura e a pesca. A minha Paróquia é Sant'Ana - Arapixuna, a qual o atual Pároco é o Pe. Matias.
            Meu pai, Manoel Miranda de Andrade, sempre trabalhou na carpintaria e agricultura e na criação de alguns bois, hoje, não desenvolve mais essas atividades, pois já é aposentado e impossibilitado. Minha mãe, Maria de Nazaré Sousa de Andrade ainda trabalha nos serviços domésticos e na Igreja. Somos oito irmãos, quatro casais, nessa linhagem de irmãos sou o último, considerado o casula. Então, hoje, eles são quase todos empregados, exceto um, o decano, que auxilia os meus pais nos trabalhos.
            Meu chamado vocacional se deu de maneira interessante, até meus dezessete anos de idade nunca tinha imaginado em viver no seminário, pensava em ser soldado; mas foi aos dezoitos anos de idade, num trabalho de roça que a partir de uma conversa com o meu primo, que disse: “se eu fosse jovem ia estudar pra ser padre”. Essa palavra ficou martelando na minha mente naquela manhã.
Entusiasmado, contei para minha mãe. No momento, sua reação foi de alegria, mas também de espanto e dúvida, no entanto, não era no sentido de não aceitar. Aliás, muito pelo contrário, porque um dos meus irmãos ela até chamava de santíssimo, pois ela gostaria que ele fosse padre. Passou uns dias e minha mãe falou com o Pe. Ruy Barbosa, pároco naquele tempo. Ele pediu que eu fosse participar de uma semana catequética e lá conversaríamos.
No dia previsto para semana catequética eu estava preparado, mas mesmo assim me encontrava num estado de medo e nervoso, pois era pela primeira vez que participaria de um estudo com a participação de outras comunidades. Contudo, ao retornar, considerei muito interessante o estudo, ajudou-me a conhecer o sentido de comunidade, a conhecer inúmeras pessoas, e enfim um aglomerado de informações. Porém, o principal objetivo que tinha me impulsionado a participação na semana catequética, que seria a conversa com o padre, não conseguir falar, cheguei até próximo, nada aconteceu.
Retornando para a minha comunidade, minha tarefa seria realizar   o repasse de tudo o que aprendi nessa semana de formação. No momento confesso que fiquei arrependido, porque em plena juventude não queria me comprometer com o serviço da igreja. Então outras tarefas apareciam como: ser membro da equipe de catequese, também vice coordenador da igreja, e presidir celebração da palavra, entre outros serviços.
Todavia foi somente no ano seguinte, em 2006, na visita do Pe.Ruy em minha comunidade, que acabei não resistindo à vontade de ter a experiência no seminário. Comparei como se fosse uma chama a acender com mais vigor no meu coração. O Pe. me orientou no que deveria fazer. Fiz de acordo ele propôs. Recebi a primeira carta do reitor do seminário, Pe. Jaime Sidônio. Quando recebi, fiquei muito contente, não parava de pensar de como seria o encontro com o reitor. Os encontros ocorreram e a cada dia aumentava a ansiedade em conhecer de perto a vida no seminário.
            Em março de 2007, muito feliz entrei no seminário, pois para mim seria a realização de um sonho, não simplesmente um sonho qualquer, mas um sonho grandemente significante, que estaria preenchendo aquela vontade vinda do coração. Não foi fácil porque não tinha o costume de viver longe dos meus pais, irmãos e colegas. Mas o bonito é que consegui superar essas dificuldades com a graça de Deus, porque acreditei que Deus está sempre comigo e que jamais me abandona.
            Para mim todas as etapas no seminário foram significantes, porque sempre procurei  viver melhor a doação, o serviço, a simplicidade em vista de permanecer fiel e perseverante em minha vocação. Mas este ano de 2011 tem sido um período de bastante discernimento, renúncias, e provações. No entanto, o bonito de tudo isso é que cada experiência vivida só me faz ter mais confiança no meu propósito, a meta a ser alcançado, o ser padre.
            Nas dimensões do seminário sempre procurei viver de acordo com normas que o seminário nos proporciona, sempre disposto as necessidades, e aos trabalhos da casa. Aos estudos não sou tanto inteligente, mas gosto de ser esforçado, colocando em dias os trabalhos acadêmicos. Tanto a oração quanto a vida comunitária foram momentos fortes na minha formação, pois por meio dessas dimensões vivo com mais firmeza a missão. A missão é o lugar propício para o compromisso com a vocação, tudo porque é lá que posso conhecer de perto as necessidades, os anseios que as comunidades vivem. E nesse ano de 2011 não estou somente fazendo missão, no entanto, estou acima de tudo “vivendo a missão”, pois me coloco a disposição em ajudar, como verdadeiro discípulo e missionário de Jesus Cristo, não deixando de lado o sentido de aprender. E esse sentido de aprender com o povo tem sido maravilhoso.
            O interessante na missão é o fato de que aos pouco vou assumido com mais responsabilidade a minha vocação; a ansiedade cresce, a vontade aumenta, e assim o propósito de entrega total a Deus vai se concretizando.
            Uma pergunta que sempre soa e permanecerá soando nos meus ouvidos é se estou convicto. No momento estou certo, contente de minha decisão, mas não é motivo de dizer que a resposta já está concretizada, porque posso muito bem estar mentindo, pois ainda há um longo caminho a percorrer. Penso que, não é de uma hora para outra que se tenha a resposta, mas vejo que ela vai acontecendo durante todo o processo de formação.
            Alguns momentos que chamamos desafiadores, tais como: conviver com o diferente, equilíbrio no que se refere ao humano afetivo não vejo somente como desafios, mas também como descoberta, pois por meio deles estou amadurecendo e discernindo melhor a minha vocação.