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| Mateus Sousa de Andrade (Seminarista da Diocese de Santarém) |
Sou Mateus Sousa de Andrade, nasci em 09/02/1987, na Comunidade de Aninduba, as margens do Rio Amazonas. Na minha região a principal fonte de subsistência é a agricultura e a pesca. A minha Paróquia é Sant'Ana - Arapixuna, a qual o atual Pároco é o Pe. Matias.
Meu pai, Manoel Miranda de Andrade, sempre trabalhou na carpintaria e agricultura e na criação de alguns bois, hoje, não desenvolve mais essas atividades, pois já é aposentado e impossibilitado. Minha mãe, Maria de Nazaré Sousa de Andrade ainda trabalha nos serviços domésticos e na Igreja. Somos oito irmãos, quatro casais, nessa linhagem de irmãos sou o último, considerado o casula. Então, hoje, eles são quase todos empregados, exceto um, o decano, que auxilia os meus pais nos trabalhos.
Meu chamado vocacional se deu de maneira interessante, até meus dezessete anos de idade nunca tinha imaginado em viver no seminário, pensava em ser soldado; mas foi aos dezoitos anos de idade, num trabalho de roça que a partir de uma conversa com o meu primo, que disse: “se eu fosse jovem ia estudar pra ser padre”. Essa palavra ficou martelando na minha mente naquela manhã.
Entusiasmado, contei para minha mãe. No momento, sua reação foi de alegria, mas também de espanto e dúvida, no entanto, não era no sentido de não aceitar. Aliás, muito pelo contrário, porque um dos meus irmãos ela até chamava de santíssimo, pois ela gostaria que ele fosse padre. Passou uns dias e minha mãe falou com o Pe. Ruy Barbosa, pároco naquele tempo. Ele pediu que eu fosse participar de uma semana catequética e lá conversaríamos.
No dia previsto para semana catequética eu estava preparado, mas mesmo assim me encontrava num estado de medo e nervoso, pois era pela primeira vez que participaria de um estudo com a participação de outras comunidades. Contudo, ao retornar, considerei muito interessante o estudo, ajudou-me a conhecer o sentido de comunidade, a conhecer inúmeras pessoas, e enfim um aglomerado de informações. Porém, o principal objetivo que tinha me impulsionado a participação na semana catequética, que seria a conversa com o padre, não conseguir falar, cheguei até próximo, nada aconteceu.
Retornando para a minha comunidade, minha tarefa seria realizar o repasse de tudo o que aprendi nessa semana de formação. No momento confesso que fiquei arrependido, porque em plena juventude não queria me comprometer com o serviço da igreja. Então outras tarefas apareciam como: ser membro da equipe de catequese, também vice coordenador da igreja, e presidir celebração da palavra, entre outros serviços.
Todavia foi somente no ano seguinte, em 2006, na visita do Pe.Ruy em minha comunidade, que acabei não resistindo à vontade de ter a experiência no seminário. Comparei como se fosse uma chama a acender com mais vigor no meu coração. O Pe. me orientou no que deveria fazer. Fiz de acordo ele propôs. Recebi a primeira carta do reitor do seminário, Pe. Jaime Sidônio. Quando recebi, fiquei muito contente, não parava de pensar de como seria o encontro com o reitor. Os encontros ocorreram e a cada dia aumentava a ansiedade em conhecer de perto a vida no seminário.
Em março de 2007, muito feliz entrei no seminário, pois para mim seria a realização de um sonho, não simplesmente um sonho qualquer, mas um sonho grandemente significante, que estaria preenchendo aquela vontade vinda do coração. Não foi fácil porque não tinha o costume de viver longe dos meus pais, irmãos e colegas. Mas o bonito é que consegui superar essas dificuldades com a graça de Deus, porque acreditei que Deus está sempre comigo e que jamais me abandona.
Para mim todas as etapas no seminário foram significantes, porque sempre procurei viver melhor a doação, o serviço, a simplicidade em vista de permanecer fiel e perseverante em minha vocação. Mas este ano de 2011 tem sido um período de bastante discernimento, renúncias, e provações. No entanto, o bonito de tudo isso é que cada experiência vivida só me faz ter mais confiança no meu propósito, a meta a ser alcançado, o ser padre.
Nas dimensões do seminário sempre procurei viver de acordo com normas que o seminário nos proporciona, sempre disposto as necessidades, e aos trabalhos da casa. Aos estudos não sou tanto inteligente, mas gosto de ser esforçado, colocando em dias os trabalhos acadêmicos. Tanto a oração quanto a vida comunitária foram momentos fortes na minha formação, pois por meio dessas dimensões vivo com mais firmeza a missão. A missão é o lugar propício para o compromisso com a vocação, tudo porque é lá que posso conhecer de perto as necessidades, os anseios que as comunidades vivem. E nesse ano de 2011 não estou somente fazendo missão, no entanto, estou acima de tudo “vivendo a missão”, pois me coloco a disposição em ajudar, como verdadeiro discípulo e missionário de Jesus Cristo, não deixando de lado o sentido de aprender. E esse sentido de aprender com o povo tem sido maravilhoso.
O interessante na missão é o fato de que aos pouco vou assumido com mais responsabilidade a minha vocação; a ansiedade cresce, a vontade aumenta, e assim o propósito de entrega total a Deus vai se concretizando.
Uma pergunta que sempre soa e permanecerá soando nos meus ouvidos é se estou convicto. No momento estou certo, contente de minha decisão, mas não é motivo de dizer que a resposta já está concretizada, porque posso muito bem estar mentindo, pois ainda há um longo caminho a percorrer. Penso que, não é de uma hora para outra que se tenha a resposta, mas vejo que ela vai acontecendo durante todo o processo de formação.
Alguns momentos que chamamos desafiadores, tais como: conviver com o diferente, equilíbrio no que se refere ao humano afetivo não vejo somente como desafios, mas também como descoberta, pois por meio deles estou amadurecendo e discernindo melhor a minha vocação.

Parabéns Mateus pelo seu tesemunho vocacional, a lógica de Deus será semrpe diferente da lógica dos homens, ou seja, Deus sempre nos supreenderá. Que Deus em sua infinita sabedoria possa conduzir você sempre no caminho da santidade. perseverança e força na caminhada. Deus o abençoe!!! Ut omnes unum sint!
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